Hoje, o pai trouxe duas postas fresquinhas de cherne da feira, mais um talo grande de alho-poró. A mãe pegou o limão na fruteira, jogou um pouco de sal e uns ramos de cebolinha, cortou um tomate sem sementes e deixou o peixe pegar gosto. Enquanto isso, o inhame, a batata, a couve e a cenoura foram cortados em pedaços pequenos. O alho-poró foi ralado para a panela, com um pouco de azeite. O peixe foi em seguida, para ser refogado. Depois de pegar uma corzinha, ganhou a companhia dos legumes. Um pouco de água para cozinhar e, em poucos minutos, a sopinha ou mini-moqueca estava pronta.
Francisco já tem nove meses, dois dentes e está sendo apresentado, aos poucos, ao maravilhoso mundo da gastronomia. Esse mês, conheceu biscoito de maizena, queijo minas, compota de goiaba, pera cozida com ricota e peixe, com alho-poró. A mãe faz questão de comprar legumes, verduras e frutas frescas uma, duas, três vezes por semana para ele. E de levá-lo às compras, para aprender, desde cedo, o que e por que está comendo.
Ele adora as visitas à feira, ao hortifruti e ao varejão da esquina. Em casa, um de seus programas prediletos é brincar com laranjas, batatas, mamões e o que mais estiver na fruteira, que já derrubou – por sorte não em cima de sua cabeça.
A mãe quase não cozinha mais para a família, tem preguiça, fica cansada de perseguir o filho alpinista de móveis. Ele já fica em pé, dá uns passinhos com a ajuda de uma mão e não para quieto um minuto. Engatinha a casa inteira, tenta subir no sofá, quer descer da cama, já caiu do trocador e não dá sossego. A mãe está cansada, mas nunca foi tão feliz na vida.