Risoto com Bachianas

By claudialamego

Depois de trabalhar três fins de semana em outubro, por causa das eleições, estou tentando achar ânimo para voltar a escrever aqui. Tenho várias coisas para contar, de casa, de receitas. Vamos começar pelas últimas. Há dois domingos, o único que folguei no mês, aprendi a fazer risoto. Já estava mal-acostumada, porque esse prato é A especialidade do meu marido – quase a única coisa que ele sabe fazer, embora tenha se esforçado muito para aprender outras. Mas, vamos combinar, um marido que sabe fazer o melhor risoto do mundo não é pouca coisa não, né?
 
Pois, no domingo do meu risoto, convidamos a vovó Gylce, mãe do meu sogro, para almoçar. O cardápio foi dos mais simples, e fica aqui a dica: salmão assado no forno, risoto perfumado de alecrim e salada verde. Esse salmão é a melhor alternativa para quem quer impressionar uma visita e é a coisa mais fácil e rápida de se preparar. Vamos lá: comprado o filé no supermercado (pode ser num mercado de peixe também, para quem mora perto ou se dispõe a andar um pouco para comprar), basta colocá-lo numa travessa (lá em casa, usamos umas de cerâmica lindas, que ganhamos no chá-de-panela. Causam a maior impressão, ficam lindas na mesa!) embebida em azeite, dos bons, e regar com molho shoyu. Põe no forno pré-aquecido a 180º e, 20 minutos depois, a coisa está pronta, cheirosa e deliciosa!
 
Comecei pelo salmão, mas, se o acompanhamento for risoto, é preciso prepará-lo bemmmmmm antes. Como acordamos tarde no dia e a vovó Gylce já estava ligando para saber se o Pedro ia mesmo buscá-la, tive que encarar o desafio de fazer o risoto sozinha. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas dá um certo trabalho. Primeiro, é preciso preparar o caldo. Bem, escolhemos um de frango, com caldo knorr mesmo (sou adepta, na teoria, de preparar tudo naturalmente, mas a correria do dia-a-dia me impede de colocar muitas coisas em prática), numa panela separada. Enquanto ele fica pronto, corta-se uma cebola inteira, joga-se na panela wok (que sonho ter uma em casa!!) com azeite e vai passando. Quando ela tiver coradinha, é só jogar o arroz. Ah, antes disso, é bom deixar o queijo parmesão ralado. Gostamos de comprar um de uma boa marca, fica muito mais gostoso.
 
Depois de refogar o arroz, é só começar a jogar o caldo. O arbóreo começa a soltar aquela baba que dá liga ao risoto. Uma concha de caldo, uma mexidinha, a água seca, mais uma concha, uma mexidinha, a água seca… Vai nesse processo até chegar ao ponto do risoto. Liguei pro Pedro: “Não vou acertar o ponto”. “Vai, sim. Você não come risoto? Então, dá uma provadinha, vê se tá ao dente e pronto. Chegou o ponto”. Não é simples assim, à primeira vista. Mas, cheguei lá. Dado o ponto, desliguei a panela, joguei o punhado farto de parmesão em cima, uma colherada de manteiga e mexi. Ah, antes de desligar o fogo, coloquei um punhado de alecrim, para dar cheiro e gosto.
 
Isso tudo ao som de Villa-Lobos. Vovó Gylce, pianista e ex-cantora da Rádio Nacional, chega, eu ainda na cozinha, botando o salmão no forno, ouve as Bachianas e pergunta: “Como vocês adivinharam que gosto de Villa-Lobos?”. O resto foi uma tarde de música, conversa e uma sobremesa deliciosa, que meu marido aprendeu numa festa e repetiu em casa. Ah, querem saber? É fácil demais também: encha o liquidificador de sorvete de creme, deixe um espaço para um copo pequeno de Nutella e bata. Jogue a mistura numa tigela, quebre uns bombons (de sua preferência. No nosso caso, foram Serenatas de Amor, mas uns Ferrero Rocher não iam nada mal) por cima e leve ao freezer.
 
A receita de doce de bananas com pêras que peguei no Panelinha para fazer ficou para uma próxima ocasião.

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