“Nada como um dia de chuva para perceber o quanto a nossa casa é aconchegante!”
A frase, mais ou menos dita assim, foi do meu marido, hoje, na hora do almoço. Saboreávamos um bacalhau desfiado, feito no azeite, com salsa, cebola e ovos mexidos. Completava o menu arroz quentinho, salada de alface roxa, agrião, tomate e gorgonzola, cenoura ralada e feijão (esse último, item obrigatório na dieta de uma grávida prestes a bater o índice de anemia). Na mesa, pratos, talheres e taças novas. No bufê ao lado, a mais bela orquídea que uma mulher recém-casada pode receber de presente do marido, num dia de semana qualquer, sem cerimônia.
A vida de uma dona-de-casa grávida, profissional do mercado de trabalho, tem seus percalços. E são muitos. É o chuveiro que dá defeito pelo menos uma vez por mês. A receita que demora mais que o indicado no pacote do produto (nunca sigam essas receitas, prefiram as das mães, dos sites, blogs e programas de TV especializados em culinária). O edredon que sai da máquina cheio de poeirinhas impossíveis de serem retiradas à mão. As roupas por lavar e passar. A blusa que não dá mais porque a gravidez já está em estado avançado. O arroz que queima justo no dia que você recebe aquela visita especial, e, por se perder na conversa, esquece a panela no fogo por mais tempo. As contas por pagar…
Mas, tudo é recompensado num dia de chuva. Quando a casa está bonita, limpa e arrumada. Os micos pulam aos montes nas árvores da floresta em frente. Do forno sai o cheiro do biscoito de baunilha que você reaprendeu a fazer. No fogão, está a cozinhar o prato que vai entrar nos seus “10 mais”. Por perto, está o marido que sai para comprar a salada na feirinha do bairro. E a prepara quando chega a hora de montar a mesa. No varal, as roupas coloridas e cheirosas que você acabou de lavar. No banheiro, toalhas felpudas para enxugar seu corpo, após o banho quentinho (porque o chuveiro hoje está funcionando!). Nas paredes vazias, o planejamento para futuros quadros. Nos porta-retratos, momentos de felicidade ao lado da família e dos amigos. E, na barriga, um neném que mexe ao ouvir a voz do pai ou uma boa música.
Não existe melhor dia para começar um blog.